Reflexões
sexta-feira, 1 de junho de 2012
EU PROTESTO
Não consigo achar que estou errado, uso o Facebook como ferramenta de protesto.
Sempre fui um cara rebelde, nunca me ative ao normal das coisas, nunca consegui aceitar coisas erradas ou que ferissem o meu caráter, minha noção de honestidade e respeito ao próximo.
Será que estou errado?
Sei que muitas vezes uso a teoria de "onde há fumaça há fogo", mas quem não a usa?
Vivemos em tempo de iniquidade. Em tempos que um parlamentar pega carona com fornecedores do governo, tem celular pago por contraventores, que admite favorecer e não é preso....sim, deveria ser preso e, provavelmente, nem será cassado, porque tem tanta gente, de tantos partidos envolvida na maracutaia, que provavelmente tudo acabará em pizza.
Porque que mancha verde e a gaviões da fiel não invadem o congresso? Seria bem melhor que matar outros torcedores.
Não sei....mas acho que tem uma estória que reflete bem o que está ocorrendo:
Num reinado o poço foi envenenado e todos que beberam de sua água ficaram loucos. Quando o rei descobriu, tentou dirigir-se à população, mas os mesmos (que estavam loucos) consideraram ele insano e começaram uma revolução.....então o rei tomou também da água do poço, ficou louco como os outros e a paz retornou ao reino.
Penso eu: será que, no Brasil, tantos tomaram dessa água? Ficaram loucos? Com legisladores (digo "lato sensu") corruptos, executivo corrupto, policiais corruptos, judiciário corrupto e/ou inoperante, direitos só para os réus (penal), foro privilegiado e essas outras porcarias todas que acometem nosso país e atingem a nossa sociedade.
Não generalizo, devem haver pessoas boas e interessadas, mas estão sendo esmagadas pela corrupção.
Os corruptos perderam a vergonha na cara.
Estamos ficando sem voz. Meu grito é mudo, mas EU PROTESTO, com os meios que me estão disponíveis EU PROTESTO, e vou continuar protestando até que isso dê algum resultado.
Mesmo que não me ouçam ou que não me deem atenção EU PROTESTO.
Mesmo que meu grito não atinja sequer a Câmara de Vereadores EU PROTESTO.
Conheço tanta gente honesta e trabalhadora....não podemos aceitar que esses mau-elementos tomem conta de nosso país.
Infelizmente, como disse alguém, sinto não lembrar quem: "para que os maus tomem conta, basta que os bons se calem".
Digo novamente, EU PROTESTO, não vou calar, não vou aceitar e jamais vou mudar.
Espero que os outros mudem, isso é apenas uma esperança, mas acredito que muitos compartilhem dela.
Só um problema, para que se mude alguma coisa temos que PROTESTAR, mostrar nossa indignação, mesmo que seja pelas redes sociais, já é um começo, mas as Ruas nos aguardam....rezo a Deus que um dia meu PROTESTO dê algum resultado.
Com revolta e vergonha pelo que acontece no meu país EU PROTESTO.
Protestem comigo......
Maurício Sperafico Daudt - 01/06/2012.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Amigos virtuais
Amigos Virtuais
Dizia Milton Nascimento que amigo é coisa pra se guardar junto ao coração. Mas, com todo o respeito, vou discordar dele.
Amigo não é pra se guardar, amigo é pra aproveitar, conversar, discutir, interagir, divertir - PESSOALMENTE.
Nestes tempos de internet, Skipe, msn e facebook amigo se quarda na web. Nada mais absurdo.
Aliás de todos aqueles contatos que a gente tem como “amigos” no face, 500, 600, alguns nem te cumprimentam na Rua, nem sabem direito como tu é. Parece uma competição sem sentido. Mais um ridículo BBB de exposição em massa.
Desses todos tira um punhado que são realmente seus amigos.
Tem gente que te inclui e nem te conhece, só pq é amigo, do amigo, do amigo....e assim por diante. Coisa fora de propósito. Tenho muitos pseudo amigos esperando aprovação, mas não vou aprovar pq não sei nem quem são.
Infelizmente a internet nos afastou a todos.
Chega em casa o casal e diz: falei com o fulano hj “pelo face”, “pelo orkut”, pelo “msn”. Vi o fulano hj.....bem difícil!!!
Tchê, precisamos de conversas francas, de abraços, de “olho no olho”, de interação pessoal. Isso sim é amizade.
Comer um churras, tomar um chimas, tocar uma viola, rir e fazer rir ou consolar quem precisa. É amigo tem que ser pra hora boa e pra ruim tb. Com ou sem grana, indiferente.
Não posso afirmar, sem demagogia, que não aprecio algumas coisas virtuais. Olho o face e posto coisas nele, porque o entendo como uma ferramenta de diversão e protesto. Uso o Skipe para falar com amigos que moram longe ou que já estão deitados, mas precisamos voltar ao “tete a tete”. Precisamos de interação. Visitar os amigos. ISSO SIM É AMIZADE.
Ou tu nunca andou falando com um vizinho(a) que mora a 5 minutos da tua casa pela internet? Vai lá e fala. Troca um abraço, três beijinhos....um aperto de mão que seja....a coisa é muito diferente e gratificante.
Vamos fortalecer as relações pessoais denovo, isso que eu acho importante.
Muito mais que ter perfil lotado no face ou Orkut.
Forte abraço em meus amigos de verdade. Esses que realmente moram em meu coração e interagem pessoalmente comigo.
Amo vocês mesmo.
Fica a reflexão, se influenciar uma pessoa a visitar um amigo, fico muito satisfeito, porque já notei que as coisas não mudam rapidamente, são sementes que devem germinar.
Gde abraço a todos.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Felicidade
Felicidade
Hoje acordei na madruga, como sempre. Os meus medicamentos ainda me dificultam um pouco o sono, pra desespero da minha mulher que tem que controlar minha ansiedade maluca hehehehe.
Dei uma repensada em tudo que passamos.
Sei que as pessoas ficam com pena quando a gente passa problemas de saúde, mas eles acabam demonstrando um lado bom da humanidade que a gente não costuma ver, muito menos reconhecer.
Minha esposa...
Meus amigos de verdade...
Minha família...
Pessoas para as quais, muitas vezes não damos o devido valor, mas que são a base da nossa vida.
E os desconhecidos...principalmente o pessoal do Hospital, das igrejas (independente de culto ou religião), que, sabemos, oraram/rezaram por nós.
Na verdade penso que, hoje, sou um homem melhor.
Nunca serei perfeito, isso pertence a Deus. Continuo cometendo erros e acertos, sendo um cara meio grosso, mas isso faz parte da minha personalidade, mas tento ser melhor com muita força, principalmente tentando usar mais o meu cérebro que minhas emoções.
Procuro tentar não ser tão estressado e colocar minhas opiniões de forma menos enfática, coisa que fazia normalmente, não por maldade, mas por descontrole psicológico....mas não é fácil. Minhas opiniões são fortes e só mudam com um argumento diverso muito bem apresentado.
Cada pessoa é diferente e a mensagem a ser passada, para ser captada, e não ferir, deve ser adequada ao ouvinte.
Pessoas não são um saco de bolas de futebol, todas redondas e iguais.
Gostaria, realmente, de transmitir ao Mundo uma mensagem melhor, de paz, tranquilidade, honestidade e lealdade. Respeito a natureza, que tudo nos dá.
Hoje consideramos um computador muito mais importante que uma árvore, do que a água, mas, amanhã, quando a coisa apertar (desculpem o termo), mas não vamos poder comer e beber chips, nem teclados, notes e PASMEM o facebook não vai resolver a situação.
Falaria sobre política, mas acho que não é o momento.
A mensagem que quero deixar é:
Tentem ser melhores, mesmo que seja difícil; Tentem tratar bem aos outros, independente de quem; Amem a Deus, ou a energia que acreditem que rege este mundo e, por derradeiro, não se preocupem com coisas pequenas, pensem positivo, aproveitem a vida e sejam FELIZES, que é o principal.
Ahh!!!!! antes que eu me esqueça, gostaria de deixar registrado que, apesar de tudo que passei e de ainda estar em recuperação, EU SOU FELIZ.
Bjo no coração.
Maurício
08/12/2011
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Fé - oração
Deus,
reconheço ser um fraco, um pecador e que muito da minha correção, honestidade e lealdade são características que me foram passadas e ensinadas mesmo sem naturalidade, no intuito de me facilitar julgar aos outros e me sentir superior aos demais (que feio Maurício).
Me ajuda a a achar minha essência, para que todas estas características passem a ser naturalmente minhas.
Me perdoa por viver esta vida de falsa superioridade e de julgamento, mesmo que impensado, incontrolado e impulsivo.
Me ajuda a agir corretamente, ou não, pois sou humano, mas reconhecendo meus erros e pedindo perdão, agindo sempre na minha essência, sem basear-me na admiração dos outros.
Deus,
Me permita ser eu mesmo, um fraco, pecador e uma pessoa que erra muito, sem querer ser perfeito, mesmo feito à Tua imagem e semelhança, sem querer ser Deus.
Permita que eu aprenda com meus erros, mesmo errando e continue a viver em Teu nome, sob Tua graça e, ao final, que eu seja julgado apenas por Ti, não por mim e não pelos meus pares.
E despeja sobre eu, minha família e meus amigos todas as graças que nos tenha reservado, sem qualquer reserva.
Amém.
reconheço ser um fraco, um pecador e que muito da minha correção, honestidade e lealdade são características que me foram passadas e ensinadas mesmo sem naturalidade, no intuito de me facilitar julgar aos outros e me sentir superior aos demais (que feio Maurício).
Me ajuda a a achar minha essência, para que todas estas características passem a ser naturalmente minhas.
Me perdoa por viver esta vida de falsa superioridade e de julgamento, mesmo que impensado, incontrolado e impulsivo.
Me ajuda a agir corretamente, ou não, pois sou humano, mas reconhecendo meus erros e pedindo perdão, agindo sempre na minha essência, sem basear-me na admiração dos outros.
Deus,
Me permita ser eu mesmo, um fraco, pecador e uma pessoa que erra muito, sem querer ser perfeito, mesmo feito à Tua imagem e semelhança, sem querer ser Deus.
Permita que eu aprenda com meus erros, mesmo errando e continue a viver em Teu nome, sob Tua graça e, ao final, que eu seja julgado apenas por Ti, não por mim e não pelos meus pares.
E despeja sobre eu, minha família e meus amigos todas as graças que nos tenha reservado, sem qualquer reserva.
Amém.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Desabafo de inverno
DESABAFO DE INVERNO
O inverno sempre me deprimiu. Desde que me conheço por gente, sempre foi, para mim, uma estação difícil. Difícil de ir pra rua, difícil de trabalhar, difícil de levantar, difícil de surfar, jogar bola. Putz, que merda que é o inverno.
Além de tudo as pessoas se afastam, ninguém quer sair de casa quando os termômetros batem nos 10 graus ou menos, deixando todos mais reservados e introspectivos, coisa que, atualmente, em nada me agrada.
Depois de um tempo, com a maturidade, com a estabilidade financeira, se aprende que há coisas interessantes no inverno: Lareira, bons vinhos, bons queijos, boa comida, mas ficar em casa sempre foi algo que tive dificuldade de fazer.
No momento o inverno me atinge em cheio, inverno da estação, inverno da vida.
A depressão que já me atingia de qualquer forma, em virtude de minha situação de saúde, vem avassaladora, quase nada das coisas boas do inverno eu posso fazer: não posso acender minha lareira, não posso beber e, até mesmo comer bem é um problema por causa das náuseas ocasionadas pelos remédios que tenho que tomar para evitar ficar doente aguardando a internação.
Realmente está complicado.
Coitada da minha esposa que tem enfrentado essa barra quase sozinha. Não, não digo que minha família não ajude, que meus amigos não me incentivem a lutar e que os prognósticos médicos não sejam positivos com o tratamento pelo que vou passar, mas ela que está comigo todos os dias e noites, quando não consigo sorrir, quando choro desesperadamente ou quando não consigo dormir, acabando por acordar ela no meio da noite.
Quando começamos nosso relacionamento há quase 10 anos atrás eu era um estagiário de direito, trabalhando de dia e estudando à noite. Não tinha dinheiro e, por muito tempo, no começo de nosso relacionamento, ela sustentou a casa.
Além disso eu era surfista, festeiro, fumante, bêbado, esportista....
A maioria das festas e reuniões do pessoal aconteciam em nossa casa. Casa modo de dizer, morávamos em um kit com móveis improvisados (tínhamos até uma classe de colégio pra botar o microondas em cima), mas éramos os únicos que morávamos sozinhos e todos vinham depois da aula na Uni pra tocar violão, tomar cerveja ou um vinho. Mesmo em dia de semana. No outro dia sempre íamos trabalhar da mesma forma, até meio de ressaca.
Nos finais de semana, quando conseguíamos alguma grana íamos pra Tramanda surfar ou eu ia, no sábado à tarde, jogar futebol com meus amigos, grupo que vinga até hoje, já há mais de 20 anos.
Em 2007 surgiu essa porra dessa doença, a Leucemia, nem gosto de escrever o nome dessa merda, não sei quem criou, não sei o que causou, nem consigo mais entender o que eu fiz pra merecer isso.
Sei que não vem ao caso, fui uma criança e um adolescente cruel com algumas pessoas, mas sempre fiel aos meus princípios de honestidade, lealdade e amizade, sendo que mantenho até hoje os mesmos amigos, que sei serem meus irmãos de fé.
Continuo sendo grosso e defendendo meus posicionamentos de forma combativa, o que trás certos problemas de relacionamento, mas, quem me conhece de verdade, sabe que esta é uma questão de personalidade, difícil, quase impossível de mudar, apesar de eu estar tentando.
Continuei sendo fiel aos meus princípios na minha vida profissional, motivo que me levou, em pouco tempo, a estabelecer um bom cartel de clientes e de receber diversas indicações que só aumentaram o número de clientes em meu escritório de advocacia.
Aprendi a ganhar dinheiro com uma profissão complicada, muito concorrida e de forma honesta, sem lesar ninguém e sendo leal com meus colegas e clientes, o que se trata, sempre acho, de um diferencial, neste mundo cão em que vivemos.
Procuro não prejudicar ninguém e ajudar quem precisa e me pede.
Mas, com a doença, em 2007, a minha vida mudou totalmente.
Primeiro tive que passar pelo crivo de inúmeros médicos que não descobriam o que eu tinha, o que me levou muito próximo da morte, mas enfrentamos a barra da melhor forma possível, sempre com um pensamento positivo e fé em Deus.
Tive que fechar meu escritório, que neste momento começava a render frutos, e fui ajudado, caridosamente, por amigos/colegas de direito, que assumiram meus processos sem cobrar nada por isso.
Em abril de 2008, finalizei meu tratamento, após a oitava internação (com média de 15 a 20 dias cada) com teórica remissão total da doença.
Voltei pra casa com cuidados, imunidade relativamente baixa, muitos cuidados de alimentação, para evitar contaminação, muito álcool gel por todos os lados e várias paranóias.
Sei que ficou difícil de conviver comigo.
Depois que se mora quase um ano em um hospital em um quarto limpo com álcool de cabo a rabo todos os dias, com comida regrada, pessoas lavando as mãos com álcool antes de te tocar, sua perspectiva de higiene é muito modificada.
Depois disso passei pela chamada manutenção, na qual fiz quimioterapia ambulatorial até maio de 2010, o que, apesar de causar cansaço alguns dias, não tinha grandes efeitos colaterais.
Em 15 de dezembro de 2010, constatamos, através de um exame periódico, que a doença voltou. Minha primeira impressão foi a aceitação da morte, até mesmo com certa resignação.
No entanto, reagi bem as novas sessões de quimioterapia e, logo tive nova remição o que deixou claro que havia ainda possibilidade de cura dessa merda, se me permitem, me dando novo ânimo para enfrentar o que viria pela frente.
Feitos testes de compatibilidade, descobrimos, ainda em janeiro, que, tanto meu irmão, quanto a minha irmã são compatíveis para me doar a medula, sendo a opção pelo meu irmão por ser homem (mulheres possuem anticorpos que podem gerar maior rejeição) e por ser maior, permitindo a extração de maior quantidade de líquido medular.
Internei três vezes para fazer quimioterapia, duas internações necessárias e uma já em virtude da falta de leito para a realização do procedimento.
Queria eu, hoje, comer uma fruta sem lavar, não ficar passando álcool na pia, não ficar paranóico por que vou cumprimentar alguém que vi dar uma tossida ou uma fungada, brincar com meus cachorros, mas Deus sabe o quanto é difícil.
Supervisiono tudo que acontece à minha volta.
Além da depressão, tenho medo de sair de casa neste frio e ficar gripado ou resfriado, enquanto aguardo o chamado para internar, que já foi adiado mais de uma vez.
Esta situação está judiando eu e minha família, toda ela apreensiva com a data da internação.
Sinto medo de morrer, mas também sinto medo de viver paranóico.
Me tornei alguém metódico, sistemático, organizado e chato, principalmente em questões de higiene, apesar de ter estas características profissionalmente também, o que, neste caso, trata-se de um ponto positivo.
Temporariamente não sou mais um surfista e festeiro beberão, nem bola posso jogar, não posso sequer fazer uma carinho nos meus cachorros.
Hoje sou um careça meio flácido que passa o dia olhando TV e jogando X Box.
Sei que muitos gostariam de passar alguns dias assim, mas já passei do limite e, sei que ainda tenho muitos dias, talvez meses, a passar desta forma.
Agora, com esse frio desgraçado não tenho coragem nem mesmo de sair de casa e poucas pessoas vem me visitar, talvez até por que não sabem bem como agir nestes casos, não sabem nem se podem vir ou se devem, mas tenho sentido frio, solidão e o pior, incerteza. Claro que sei que todos estão trabalhando e tem suas vidas pra cuidar.
Já falei no Facebook e confirmo, vou me mudar daqui, não me interessa o que vou fazer, mas vou atrás do sol, do surf, das praias, coisa que eu sempre quis.
Já me acostumei a recomeçar e recomeçar é igual em qualquer lugar, posso advogar em qualquer lugar, posso abrir um pousada, posso ser corretor de imóveis, por que eu estudei muito nessa vida e tive várias profissões para as quais sou legalmente habilitado.
Tenho que acreditar que este tratamento vai me curar e me permitir seguir com a minha vida da forma que eu quiser, longe desse frio e longe do “inverno da vida”.
Só quero ser curado e buscar meu caminho.
Que acabe o inverno e minha vida recomece no verão, seja onde for ou fazendo o que for, mas que venha de encontro aos anseios do meu coração, não do meu bolso, nem da minha mente.
QUE DEUS ME ESCUTE E ME AJUDE, pois a Ele tudo é possível.
Obs: Texto escrito em final de junho de 2011, algumas semanas antes de minha internação.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Uma manhã mágica de surf
Uma manhã mágica de surf
Era meados de 2000.
Uma manhã qualquer de um final de semana de verão.
Tínhamos ido para minha casa, em Nova Tramandaí, é, isso mesmo, em Nova Tramandaí, nada de especial, o especial, pelo lugar, aconteceu depois.
Chegamos na sexta-feira à noite já na fissura pra surfar, como não tinha vento, imaginamos que o surf seria bom e dormimos cedo, para poder acordar restabelecidos às 5h30min do outro dia. Surfar antes do vento entrar era obrigatório.
Acordamos às 5h30min, tomamos o tradicional leite com café e comemos umas bananas pra evitar eventuais cãibras, até mesmo porque queríamos surfar tanto quanto possível.
Na época éramos muito fissurados, eu e meu primo Dani. Eu surfando de prancha e ele de bodydord, “moreyzinho”, como eu dizia pra encher o saco dele. Mas tínhamos um nível de surf muito bom, entravamos em qualquer mar (e isso no sul não é pouca coisa), sempre com bom desempenho.
Lembro como se fosse hoje, saímos de casa, pelas 6hs, e a praia inteira ainda dormia, salvo algum velho que tinha levantado pra comprar pão fresco.
Ao abrir a porta da casa já ficamos admirados, havia uma forte cerração, mal dava pra enxergar a esquina da rua.
Ficamos ainda mais pilhados, nenhum vento, o surf prometia.
Naquele tempo praticamente não havia previsão de swell, portanto, não tínhamos a menor idéia de que tamanho estariam as ondas o que só aumentava a ansiedade do momento.
O caminho entre a minha casa e o mar, talvez umas quatro quadras, foi feito rapidamente na praia digamos, fantasma.
Quando tivemos vista do mar, quer dizer, onde deveríamos ver o mar, não víamos nada, só a cerração fechada.
Pisamos na areia que ainda não tinha nenhuma pegada, nossos passos ficavam marcados, pois a cerração deixou a areia úmida durante a noite. Só algumas gaivotas estavam por ali, mas, mais ouvíamos do que víamos as mesmas, uma viagem mesmo.
Na beira da praia, já com os pés na água, eu colocando o leche e o Dani os pés de pato, enxergamos algumas linhas. Linhas perfeitas. Mas tudo muito vagamente.
Éramos só nós dois, eu e meu parceiro de surf de mais de 10 anos, e o mar.
Começamos a remada na maior expectativa do que estava por vir, que tamanho estaria? A bancada estaria boa?
Claro que entramos num local da minha praia onde geralmente a bancada era boa, minha conhecida de longa data, ao lado da casinha do salva-vidas.
Mas fomos entrando, não tem canal e não sabíamos como seria a remada, mas foi tranqüilo.
Quando chegamos lá fora, conseguimos enxergar as linhas.
Olha, quem mora no RS sabe o quanto é raro.
Não era um mar grande, não empolgaria um big rider, mas tinha 1 metro de onda, com força, liso e elas vinham em triângulos.
O drop no pico permitia até a escolha do lado do tubo. Tinha tubo pra direita e pra esquerda na mesma onda na mesma intensidade.
Ainda tinha a vantagem que não tinha vento, sem terral, entrada na onda suave, sem muita remada, só um encaixe nela quando já tava quase quebrando e drop fácil.
Lembro ainda que, na primeira eu caí. Uma vaca meio feia, não sei, acho que tava tão emocionado que me empolguei.
Na segunda onda, dropei pra esquerda, me coloquei e deixei rodar.
Apesar de fazer muitos anos ainda lembro daquele lip passando por cima da minha cabeça, a água meio marrom aqui do sul, um tubo profundo, perfeito, rodando. O tempo parado e o grito de emoção entalado na garganta, que somente saiu ao final da onda.
Logo depois o Dani pegou um igual.
Assim ficamos por horas. Cada onda um tubo melhor, alguns com saída, outros não, mas um atrás do outro. Um gritando pro outro a cada drop em um verdadeiro revezamento de tubos, sem mais ninguém na água.
Uma coisa incrível. E eu pensava “cara, to na minha praia, Nova Tramandaí, mar aberto, com meu melhor amigo e parceiro de surf pegando um tubo atrás do outro. Acho que ainda não acordei. Hehehehe”.
Mas foi tudo real, mágico e incrível.
Tenho certeza que Deus esteve presente naquele momento, como ele sempre está quando estamos surfando, mas de forma especial, mágica.
Lá pelas 9hs, quando já estávamos ficando cansados, começou o vento. Não me lembro realmente que vento entrou, pode até ter sido um terral, mas as ondas pioraram, o mar bagunçou, não ficou ruim, mas bagunçou e, nesta hora, a galera da minha praia começou a chegar pra surfar.
Os caras entrando e dizendo que tinha altas ondas......
Rolou aquela máxima do surf: “Vocês deveriam ter acordado mais cedo!!!!!!!”
Quando a galera entrou, com o mar piorando, saímos do mar, com a cabeça feita e fomos pra casa para tomar um cafezão, pois já estávamos cansados e com fome e ficar mais naquele mar só ia estragar as coisas.
Repito, foi um dia mágico, principalmente por ter sido na minha praia, onde tenho casa desde que nasci, com meu primo, meu amigo desde o nascimento e parceiro de surf, que começou a surfar junto comigo e fez praticamente todas as trips comigo.
Mesmo tendo surfado em vários picos, ondas de vários tamanhos e formas, com diversos amigos, jamais esquecerei este dia, uma verdadeira manhã mágica de surf.
Maurício Sperafico Daudt – 18/07/2011
Amigos
Amigos
Dada a data comemorativa pensei em escrever um pouco sobre este tema tão importante na vida de cada um: Os amigos.
Nascemos sem eles, no início de nossa jornada nossos amigos são somente a nossa família.
Ainda cagando nas fraudas conhecemos nossos primeiros amigos e é uma sensação muito agradável.
Quando vamos crescendo a coisa começa a ficar mais séria, a definição de nossa própria personalidade, de nossos interesses e sonhos vai definindo quem fica e quem apenas passa por nossa vida.
Alguns apenas passam, mas, de alguma forma nos deixam marcas profundas, entram em nosso caminho pra nos ensinar alguma coisa, as vezes de forma extremamente fulgás, são nossos amigos por dias ou por momentos.
Outros, mesmo com relação estreita durante tempo considerável, acabam por se afastar ou por nós são afastados, muitas vezes sem mágoas, simplesmente as pessoas mudam.
Mas acredito, porque passo por esta experiência, que muitos transcendem da definição de amigos.
Nascemos com uma família onde temos a ligação sangüinea e o parentesco, mas, no decorrer de nossa vida escolhemos nossa outra família, que são nossos amigos, cuja ligação não é obrigatória, ela vem sabe-se lá de onde....das nossas afinidades, da proteção mútua, da solidariedade, da palavra amiga, do desabafo, da diversão, da gratidão, sei lá....a amizade tem várias e várias faces.
Não falo aqui em parceiros de festa ou amizade por interesse financeiro.
Mesmo que tudo no mundo seja uma troca, a amizade de verdade é algo muito superior à uma simples troca, é um complemento do nosso eu.
Dividir algo com um amigo é gratificante, como nos sentimos gratificados também em poder ajudá-los quando eles de nós precisam.
Não acredito que tenhamos muitos amigos no termo estrito da palavra, normalmente podemos contar eles nos dedos.
São aqueles com quem podemos abrir a alma sem medo, seja o que for que esteja acontecendo.
Acredito que, nos dias de hoje, muitas pessoas não saibam o que é isso.
Num mundo onde existe tanta malandragem, interesse financeiro, corrupção e falta de consideração com o próximo, devem haver pessoas que pouco se importam com as demais.
Contudo, por mais ridículo que seja, acredito na propaganda da coca-cola: os bons ainda são a maioria.
Fico muito feliz de ter vários amigos de verdade que formam a família que escolhi para me acompanhar nesta jornada.
Feliz dia do amigo.
Maurício Sperafico Daudt – 20/07/11
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